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sábado, 18 de agosto de 2012

OFICINA DE MICROCONTOS


EEEFM DAURA SANTIAGO RANGEL
Disciplina: Língua Portuguesa
Ensino médio – EJA
Prof. Bruno Ricardo


ATIVIDADE: OFICINA DE MICROCONTOS

Conteúdos:

Literatura, produção textual, gêneros textuais, ficção.


Objetivos:

Geral: Apresentar aos alunos o conceito de narrativa ficcional, levando-os a também a praticarem a redação de microcontos.


Específicos:

  • Entender as particularidades da escrita ficcional.
  • Tomar contato com autores da literatura universal que produziram microcontos.
  • Escrever e publicar microcontos., tanto para a comunidade escolar como para o público em geral, através da web.


Desenvolvimento:

  • Introduzir os alunos nas características da ficção; diferenciar conto, novela e romance, do ponto de vista da complexidade, extensão, entre outros aspectos
  • Apresentar aos alunos o conceito de microcontos, bem como seu histórico e acesso a alguns escritores que ajudaram a canonizar o gênero, como Dalton Trevisan e Ernest Hemingway.
  • Escrita e reescrita dos microcontos
  • Publicação dos textos produzidos pelos alunos no mural da escola e em um blog a ser criado especificamente para a oficina


Avaliação

Fazer os alunos perceberem no que a linguagem literária se diferencia, do ponto de vista de seus objetivos, da cotidiana. Levá-los a entenderem que ficção trabalha, básica e fundamentalmente, com enredo e personagens. Observar a prática da concisão, que justifica o microconto.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O teórico húngaro Ference Fehér é o autor de "O romance está morrendo?". 

Não estranhe o título apocalíptico, ele não está sozinho. 

Muita gente diz que o romance é um gênero superado, moldado em Cervantes, aprimorado entre as revoluções industriais e esgotado em Joyce e Kafka. 

Na minha humilíssima opinião, dizer que o romance já deu o que tinha que dar é tão descabido quanto afirmar que a História acabou junto com o Muro de Berlim.

Porém, eu já acho que o conto envelheceu melhor que seu primo maior. Por mais incensados que sejam os contos de Machado de Assis, Lima Barreto, Poe, etc., eu sinto muito mais prazer nas experiências mais modernas de Cortázar, Rubem Fonseca e vários outros.

Aqueles mestres deram o pontapé inicial, mas o conto progrediu muito e soube, sim, se adaptar melhor que o romance, o qual tem como habitat natural a sociedade burguesa do século XIX (nisso concordam 100% dos críticos). E de fato, eu não conheço nenhum romance recente que sirva pra amarrar os sapatos de Dom Casmurro.
Em "O crocodilo" Vinícius prova que um filho é pior que o assustador réptil. Esta última estrofe é perfeita: 

O filho é um monstro. E uma vos digo 
Ainda por píssico me tomem: 
Nunca verei um crocodilo 
Chorando lágrimas de homem.
João Pessoa, 17 de agosto do ano da Graça de 2009, 1h52 da tarde. 
Bruno R corrige redações de alunos da terceira série do ensino médio.

A Amazônia ela produz a parte maior de sua própria chuva, porquê ela é bastante grande.
O excesso do desmatamento pode degradar o ciclo hidrológico porque não são apenas essencial para a manutenção das nossas floresta mais ela também garante o significado da chuva.
O desmatamento pode acabar com varias coisas, tipo assim, com o ciclo Hidrológico, com a nossa manutenção de grandes floresta e com a energia hidreletrica etc...

Acontece na vida...

O documentário Pro dia nascer feliz apresenta uma adolescente pobre do interior de Pernambuco que escreve poemas tão bons que ninguém acredita que saíram da cabeça dela. Os olhares de desconfiança fizeram a menina sentir vergonha de mostrar o que produzia.

Uma colega minha que dá aula no ensino fundamental numa escola da periferia me contou que uma de suas alunas escreveu um poeminha sobre seu gato e quis inscrever num concurso de redação promovido pela prefeitura. E a diretora não quer permitir, porque acredita que só pode ter sido plágio.

Enquanto isso, na sala de professores

- Não aguento quando vêm pra mim com essa falsa modéstia de chamar negro de moreno! - Diz, entrando na sala e caminhando até a mesa, um professor negro. - Nós, pessoas cultas, não podemos permitir isso! - Senta, puxando a cadeira com raiva.

- É porque tem muitas pessoas morenas que acham que é preconceito. Ah, não aguento mais essa conversa! - Responde, impaciente, uma professora branca. - Esse assunto é muito cafona... O movimento negro tem muita hipocrisia, coisa de quem não tem o que fazer.
Deixado o medo e solto os belos rebanhos,
Eia, dês os veredictos às celestes, julgando.
Eia, decidindo a melhor imagem da face,
Esta maçã, amado broto, ofereças à mais luminosa!


"O Rapto de Helena", Colutos

Estava semeada a discórdia. Quem seria mais bela: Afrodite, Atena ou Hera?
- Hermes – disse Zeus – leve essas três até o Monte Ida. Lá você encontrará um pastor chamado Páris e lhe ordenará que ele entregue este pomo de ouro àquela que julgar mais graciosa.
Era pra ser uma disputa limpa. Mas Atena, julgando-se sábia, foi a primeira a tentar subornar o jovem, prometendo-lhe vitórias nas pelejas: “Obedece, guerras e invencibilidade te ensinarei. Aos afliltos varões te porei salvador da cidade.”
Hera não deixou barato: - E é? – e vira-se para o filho de Príamo - Pois, se o broto me deres, de toda a nossa Ásia te porei senhor.
Páris estava grogue. Não acreditava no que seus olhos e ouvidos captavam. Mas abestalhado mesmo ele ficaria com a proposta de Afrodite. Sim, a deusa do amor estava tão certa da vitória que nem deu atenção à plataforma eleitoral de suas rivais. – Estás vendo isso? – pergunta, desnudando o véu e inaugurando o topless – É fichinha perto do que te darei se for tua eleita. Te farei esposo de Helena, a mais formidável pequena de toda a Lacedemônia. Que me dizes?

Mais tarde, na casa do Centauro, na Tessália, por ocasião do casamento de Peleu e Thétis, o pai dos deuses inquire seu mensageiro:
- E aí, quem levou?
- Rá! Ainda pergunta?
- Ih... Isso ainda vai dar merda.
- Ô!
- Mas isso é problema dos troianos. Ganimedes, traz mais uma cumbuca de ambrosia, faz favor!